ESTUDO. A DESPEDIDA DE MOISÉS.

QUANDO CHEGA OFIM!
Se o final abrupto e quase trivial do livro de Números teve a intenção de indicar que o começo da grande história de Israel como nação não havia terminado, o livro de Deuteronômio claramente dá a conclusão desta grande história de livramento. Nele, Moisés não é meramente o ator principal como nos três livros anteriores; aqui ele é também o único narrador, e os discursos (que formam a parte principal do livro) são tanto seu resumo quanto sua aplicação desta história a Israel. O fato de que é Moisés, o líder e o legislador, que fala a Israel, e por meio dele a todo o Israel de Deus nas gerações por vir, é deixado claro pela afirmação expressa nesse sentido e também pelo fato de que os pronunciamentos são marcada e caracteristicamente mosaicos. Moisés aceitou em silêncio a sentença de que não iria guiar o povo até Canaã (Nm 27.12-17). Três vezes, em seu primeiro discurso (Dt 1.37; 3.23-27; 4.21-24), ele expressou sua dor em não poder realizar o desejo de seu coração. Em todas as três passagens ele põe a culpa no seu desapontamento com o povo: O Senhor ficou irado “por causa de vós”; e duas vezes ele tirou do seu trágico desapontamento uma lição sobre obediência, para Israel. Semelhantemente, no caso de Arão ele deixou claro que foi devido à sua intercessão que Arão não foi morto pelo pecado de fazer o bezerro de ouro (9.20). Os primeiros onze capítulos são principalmente uma retrospectiva e clímax do relato sobre o recebimento da lei no Monte Sinai, cujo primeiro mandamento é resumido (6.4s.) no Shemá: "Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força” (cp. Mt 22.37ss.). Embora o resumo que Cristo fez do segundo mandamento “o teu próximo como a ti mesmo” seja na verdade citação de Levítico 19.18, mesmo assim ele encontra expressão completa nas exortações do Deuteronômio relativas ao cuidado do pobre, do estrangeiro, da viúva, do órfão e dos levitas (ex. 15.7s.; 16.11; 24.10-22). De fato, em nenhum outro lugar a essência do segundo mandamento do Decálogo é mais enfatizada do que em Deuteronômio.No capítulo 12 Moisés começou a tratar com mais detalhes da conquista da terra e sua posse, especialmente com o lugar, na terra, que o Senhor escolhera para colocar seu nome (v. 5). Este lugar, tal como o Tabernáculo durante a jornada pelo deserto, escolhido para ser o centro de adoração para todo Israel, é mencionado dezenove vezes, com mais frequência no capítulo 12. A sua localização não é especificada, nem seu nome é dado em nenhuma destas passagens. O mesmo se aplica a outros grandes aspectos da vida de Israel na terra, o remado (17.14-20) e profecia (18.15-22). Eles estão no futuro. Moisés tem muito a dizer sobre o futuro e dá leis destinadas a governar Israel “na terra que irás possuir”. Mas sua grande preocupação com Israel, após seus quarenta anos de liderança, era que eles tomassem posse
da terra e a administrassem com sabedoria. Em sua mente, a permanência deles na terra era ainda mais importante do que sua conquista; o sucesso em ambos os casos dependeria da obediência a Deus, que a havia prometido a Abraão, Isaque e Jacó.
da terra e a administrassem com sabedoria. Em sua mente, a permanência deles na terra era ainda mais importante do que sua conquista; o sucesso em ambos os casos dependeria da obediência a Deus, que a havia prometido a Abraão, Isaque e Jacó.
Ele então expressa suas esperanças e temores por Israel em um cântico (Dt 32.1-43). Junto com Êxodo 15, estes dois capítulos (Dt 32-33) são os únicos do Pentateuco que recebem uma forma poética característica na Bíblia hebraica, e mostram como a eloquência da oratória apaixonada, que aparece com frequência nos outros livros, pode passar a uma forma poética. O que pode ser considerado como as últimas palavras de Moisés (33.26-29; cp. 2 Sm 23.1-7) encontra eco na oração registrada no Salmo 90. Moisés, o profeta sem igual no AT, antevê com a angústia de um grande amor, toda a miséria e sofrimento que os pecados de desobediência trariam ao seu povo. Ele alerta solenemente: “Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti que te propus a vida e a morte, a benção e a maldição: escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e tua descendência” (Dt 30.19). Com tais palavras de conselho e admoestação, este que tanto amou a Deus e ao povo de Deus, passou para sua recompensa.O melhor e mais verdadeiro tributo à memória de Moisés foi declarado nas palavras de seu epitáfio: “Nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, com quem o Senhor houvesse tratado face a face, no tocante a todos os sinais e maravilhas, que, por mando do Senhor, fez na terra do Egito, a Faraó, a todos os seus oficiais, e a toda a sua terra; e no tocante a todas as obras de sua poderosa mão e aos grandes e terríveis feitos que operasse Moisés à vista de todo o Israel” (34.1012). Multidões de crentes, tanto dos tempos do AT quanto do NT, e nos dias da Nova Aliança, têm aceitado estas palavras como seu próprio tributo a “Moisés, o servo de Deus”. Assim o grande servo Moisés depois de observar a terra, e dar toda instrução ao povo das bênçãos e maldições. No dia seguinte, mandou reunir todo o povo e quis que as mulheres, as crianças e mesmo os escravos estivessem presentes. Obrigou- os todos a jurar que observariam inviolavelmente e conforme a vontade de
Deus todas as leis que ele lhes havia concedido por ordem dele, sem que nem o parentesco, nem o favor, nem o medo, nem qualquer outra consideração os pudesse levar a transgredi-las. E, se algum dos parentes ou alguma cidade, sem motivo, quisesse fazer coisas que lhes fossem contrárias, todos, em geral e em particular, os dominariam à força e, depois de vencer esses ímpios, destruiriam as suas cidades até os alicerces, sem que restasse, se possível, o menor vestígio delas. Se não fossem bastante fortes para vencê-los e castiga-los, que ao menos demonstrassem horror pela sua impiedade. Todo o povo prometeu com juramento observar essas coisas.Moisés instruiu-os depois sobre a maneira como deviam fazer os sacrifícios, a fim de torná-los mais agradáveis a Deus. Recomendou-lhes ainda que não se metessem em guerra alguma;  senão depois de reconhecer, pelo brilho extraordinário das pedras preciosas que estavam sobre o racional do sumo sacerdote, que Deus aprovava que eles as empreendessem. Josué então predisse, pelo espírito de profecia, mesmo ainda vivendo Moisés e em presença deste, tudo o que faria para o bem do povo ou na guerra, pelas armas, ou na paz, pela publicação de várias leis boas e santas. Exortou-os a praticar com cuidado a maneira de viver que lhes acabava de ser determinada e disse-lhes que Deus lhe havia revelado que, se eles se afastassem da piedade de seus antepassados, seriam oprimidos por toda espécie de desgraças: o seu país se tornaria presa de nações estrangeiras e os seus inimigos destruiriam as suas cidades, queimariam o Templo e levá-los-iam escravos. Eles gemeriam numa escravidão tanto mais dolorosos quanto teriam por senhores homens sem piedade e então se arrependeriam, porém muito tarde, de sua desobediência e ingratidão. Todavia a infinita bondade de Deus não deixaria de restituir as cidades aos seus antigos habitantes e o Templo ao seu povo, o que aconteceria não somente uma vez, mas diversas. Moisés ordenou em seguida a Josué que levasse o exército contra os cananeus, assegurando-lhe que Deus o assistiria naquela empresa e desejando toda espécie de felicidade ao povo, e assim falou-lhes: “Hoje Deus resolveu terminar a minha vida, e devo ir encontrar-me com os meus pais”. É bem justo que antes de morrer eu lhe dê graças na vossa presença pelo cuidado que teve de vós, não somente vos livrando de tantos males, mas vos cumulando de tantos bens, e por me assistir nas dificuldades que tive de enfrentar para vos proporcionar tantos benefícios. Pois é somente a
Ele que deveis o começo e a realização de vossa felicidade. Eu fui apenas o seu ministro e só ei as suas ordens, que são efeitos de sua onipotência, de que eu não saberia dar graças o suficiente nem teria como rogar-lhe a continuidade. Deixo cumprido esse dever e rogo-vos que graveis na memória um tão profundo respeito por Deus e tanta veneração por suas santas leis que as considereis sempre como o maior de todos os favores que Ele vos fez e que jamais poderíeis dele receber. Se um legislador, embora sendo um homem, não iria tolerar que se desprezassem as leis criadas por ele e castigaria o desprezo a elas com todas as suas forças, imaginai qual será a cólera e a indignação de Deus, se deixardes de observar as suas. “Rogo a Ele de todo o meu coração que não permita sejais tão infelizes para merecê-lo”. Depois de assim falar, Moisés predisse a cada uma das tribos o que lhe deveria acontecer e desejou-lhes mil bênçãos. Toda aquela enorme multidão não pôde por mais tempo reter as lágrimas. Homens e mulheres, grandes e pequenos, todos demonstraram igualmente o seu pesar por perder um chefe tão ilustre. Não houve mesmo criança que não derramasse lágrimas: a sua eminente virtude não podia ser ignorada nem mesmo pelos dessa idade. Dentre as pessoas sensatas, umas deploravam a gravidade de sua perda para o futuro e outras se queixavam de não terem compreendido o bastante a felicidade que era para eles ter tal chefe e guia e de serem privados dele quando o começavam a conhecer. Nada, porém, demonstrou tão bem até que ponto chegava à aflição deles como o que aconteceu a esse grande legislador. Pois ainda que estivesse convencido de que não era necessário chorar à hora da morte, pois ela vem por vontade de Deus e por uma lei indispensável da natureza, ele ficou tão comovido pelas lágrimas de todo o povo que não pôde deixar de chorar. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog