ESTUDO. JOSÉ! O SALVADOR DO EGITO.
SUA INFÂNCIA.
Segundo o que está narrado no livro de Gênesis cap.30. (ALMEIDA,F. ARA), a partir dos versículos vinte e dois (22), José nasceu em Padã-Arã na região da Mesopotâmia, seus pais residiam ali por uma escolha da sua avó Rebeca que instruiu seu pai a ir aquela região para casar-se com uma de suas filhas, pois eram parentes, naquela época se buscava mulheres entre suas parentelas já por uma ordem de aliança divina com seus patriarcas. Mas tudo começou quando Isaque seu avó pediu para que seu filho mais velho Esaú fosse ao campo buscar uma caça para que ele comece antes mesmo de morrer, pois já estava avançado em velhice. Foi quando sua avó Rebeca ouviu a conversa e apressou seu irmão Jacó pai de José a buscar um cabrito para que ela o preparasse para Isaque, com isso ele receberia a benção da primogenitura.
Sabemos biblicamente que o fato ocorreu. Sua mãe fez o prato de carne de cabrito, Jacó recebeu a benção da primogenitura e para não ser morto pelo seu irmão sua mãe persuadiu Isaque a mandá-lo à Mesopotâmia, para casar-se com uma mulher de sua raça. O texto descrito narra bem: Tendo sido Jacó, com o consentimento do pai, enviado por sua mãe à Mesopotâmia, para desposar uma filha de Labão, seu tio, atravessou o país dos cananeus. Mas, por ser uma nação inimiga, não entrou em nenhuma de suas casas. Dormia no campo, utilizando-se das pedras como travesseiro. E, dormindo, teve uma visão. Parecia-lhe ver uma escada que ia da Terra até o céu com pessoas — que pareciam ser mais que humanas — descendo por ela. Deus, que estava no alto, apareceu-lhe claramente, chamou-o pelo nome e disse-lhe: “Jacó, tendo como tendes por pai um homem de bem e tendo o vosso avô se tornado tão célebre pela virtude, por que vos deixais abater pela dor”? Concebei melhores esperanças. Grandes bens vos esperam, e eu jamais vos abandonarei. Quando Abraão foi expulso da Mesopotâmia, eu o fiz vir aqui. Tornei feliz o vosso pai, e vós não o sereis menos que ele. Coragem! Continuai o vosso caminho, nada temais sob o meu governo. (N.Gilvan. HIST. DE ISRAEL pg.105.Ed,Vida,1986.).
Assim foi que Jacó pai de José parou na região da Mesopotâmia. Chegando a Padã-arã, ele tem um encontro com Raquel que pastoreavam o rebanho de seu pai Labão, ele gostou dela que fez uma proposta a Labão para trabalhar por ela sete anos, que acabou se multiplicando em quatorze anos.
No final dessa maratona trabalhista ele casa-se com Raquel, mas já tem sua irmã como mulher, a saber, Lia. Raquel por sua vez era estéril, mas um dia com uma intervenção divina ele concebe e da à luz a José, esse era o primogênito da mulher amada, mas como já havia se casado com sua irmã e as suas servas também já tinha concebido dele, havia uma gama de dez filhos.
Após o nascimento de José, Jacó seu pai resolve partir das terras de seu sogro Labão, foi enganado varias vezes por ele, mas Jacó também não era fácil e deu o troco varias vezes.
Com a mudança de Jacó para Canãa terra de seus pais. A prosperidade com que Deus favorecia a Jacó era tão grande que nenhum outro no país o igualava em riquezas. Nessa época José teria uns seis (6) anos de vida quando seu pai veio para Hebrom cidade de seus patriarcas (Morris, David. ENC. MUNDO BIBLICO, pg.208,2007). E as excelentes qualidades de seus filhos não somente o tornavam feliz, mas também considerado por todos. Eles não tinham menos espírito que sabedoria e coração, e nada lhes faltava do que os pudesse tornar estimados. Deus tomava também tal cuidado por esse fiel servidor e concedia-lhe tão liberalmente as suas graças que mesmo as coisas que pareciam ser-lhe adversas acabavam em seu proveito. Ele começava, desde então, por ele e pelos seus, a abrir aos nossos pais o caminho para sair do Egito. Eis qual foi à origem disso. José, que Jacó tivera de Raquel, era o mais querido de todos os seus filhos, fosse por causa das melhores qualidades de espírito e de corpo, em que sobrepujava os outros, fosse por sua grande sabedoria. Esse afeto, que o pai não conseguia esconder, incitou contra José a inveja e o ódio dos irmãos, agravados ainda por causa de alguns sonhos que o moço lhes contara na presença do pai e que lhe pressagiavam uma felicidade extraordinária, capaz mesmo de suscitar inveja entre as pessoas mais próximas.
O fato passou-se deste modo: Jacó o havia mandado com seus irmãos para trabalhar no campo de trigo, e ele teve um sonho na noite anterior, que não podia ser considerado comum. Pela manhã, contou-o aos irmãos, a fim de que o explicassem. Parecia que o seu feixe estava de pé no campo e que os outros vinham inclinar-se diante dele e adorá-lo. Eles não tiveram dificuldade em julgar o que significava aquele sonho: a fortuna de José seria muito grande, e eles lhe seriam sujeitos. No entanto dissimularam, como se nada tivessem entendido, desejando em seu coração que a predição fosse falsa e concebendo contra ele uma aversão ainda maior.
Deus, para confundir a inveja deles, permitiu a José outro sonho, bem mais importante que o primeiro. Parecia-lhe ver o Sol, a Lua e onze estrelas descerem do céu a Terra e prostrarem-se diante dele. Ele contou o sonho ao pai diante dos irmãos, dos quais não desconfiava, e rogou que lhe dessem uma explicação. Jacó sentiu grande alegria, porque compreendeu facilmente que Deus pressagiava a José uma grande prosperidade, chegando o tempo em que seu pai, sua mãe e seus irmãos seriam obrigados a prestar-lhe homenagem. O Sol e a Lua significavam o pai e a mãe, pois aquele dá forma e força a todas as coisas e esta alimenta e faz crescer. As onze estrelas significavam os onze irmãos, que tiram toda a sua força do pai e da mãe, como as estrelas do Sol e da Lua. Jacó deu essa interpretação ao sonho e o fez muito sabiamente. Mas o presságio deixou aflitos os irmãos de José. Embora sendo-lhes muito próximos e devessem tomar parte na sua felicidade, sentiram maior inveja ainda, como se ele lhes fosse um estrangeiro. Assim, deliberaram fazê-lo morrer e com esse fim, quando terminaram os trabalhos do campo, levaram os rebanhos a Siquém, que era um lugar abundante em pastagens. Nada haviam dito ao pai, e a ausência deles afligiu Jacó. E, para ter notícias deles, mandou José procurá-los.
Os irmãos de José viram-no chegar com prazer, não porque vinha da parte de seu pai, mas porque, considerando-o inimigo, se regozijavam por vê-lo cair-lhes nas mãos. E temiam tanto perder a ocasião de se desfazer dele que o queriam matar naquele mesmo instante. Porém Rubén, o mais velho, não pôde aprovar tamanha crueldade. Fez-lhes ver a enormidade do crime que queriam cometer, o ódio que atrairiam contra eles e quão abominável seria o assassínio de um irmão, se um simples homicídio já causava horror a Deus e aos homens. Além disso, eles matariam de dor um pai e uma mãe que, além do amor que tinham por José, por causa de sua bondade, nutriam-lhe uma ternura particular, por ser ele o mais obediente de todos os filhos. Assim, ele os conjurava a temer a vingança de Deus, que via já o cruel desígnio concebido em seus corações, que os perdoaria, contudo, se eles se arrependessem e compensassem o seu crime, mas que os castigaria muito mais severamente se o cometessem. Que considerassem, pois, que todas as coisas a Ele eram gentes: as ações ali praticadas nos desertos não passariam, mas despercebidas que as cometidas nas cidades, e a própria consciência servir-lhes-ia de algoz. E acrescentou que, se jamais fora permitido matar um irmão, mesmo havendo ofensa da parte dele, e se, por outro lado, é sempre louvável perdoar aos amigos quando eles erram, por muito maior razão eram eles obrigados a não fazer mal a um irmão do qual jamais haviam recebido injúria alguma. A simples consideração pela juventude dele deveria levá-los não somente a sentir compaixão como também a ajudá-lo e protegê-lo. A causa que os instigava contra ele tornava-os ainda mais culpados, pois em vez de invejar a felicidade que lhe tocaria e as vantagens com que Deus se comprazia em enriquecê-lo, eles deveriam regozijar-se e considerá-las como suas também, pois, sendo-lhe tão próximos, de tudo poderiam participar. Deviam, por fim, imaginar qual seria o furor e a indignação de Deus contra eles se levassem à morte aquele a quem Ele havia julgado digno de receber de sua mão tantos benefícios, se ousassem tirar-lhe os meios de favorecê-lo com suas graças.
Vendo Rubén que os irmãos, em vez de se comoverem com essas palavras, cada vez mais se obstinavam em sua funesta resolução, propôs escolherem um meio mais suave de executá-la, a fim de tornar a sua falta, de algum modo, menos criminosa: se quisessem seguir o seu conselho, deveriam contentar-se em colocar José numa cisterna próxima, deixando-o lá para morrer, sem manchar as mãos com sangue. Eles aprovaram a proposta, e Rubén desceu-o com uma corda à cisterna, que estava quase seca, e em seguida foi procurar pastagens para o seu rebanho. (Mal ele havia partido, Judá, um dos filhos de) Jacó, viu passando uns mercadores árabes, descendentes de Ismael que vinham de Gileade, os quais levavam para o Egito perfumes e outras mercadorias. Então ele aconselhou os irmãos a vender José, pois desse modo ele iria morrer num país distante e eles não poderiam ser acusados de lhe terem tirado a vida. Eles negociaram com os mercadores, retirou da cisterna o irmão, que contava então dezessete anos, e o venderam por vinte peças de prata aos ismaelitas. (cito JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus, 11ª ed, Rio de Janeiro: CPAD, 2007.)
Quando retornou, à noite, Rubén, que pretendia salvar José, foi secretamente à cisterna e chamou-o diversas vezes. Vendo que ele não respondia, imaginou que os irmãos o houvessem matado e censurou-os severamente. Eles então foram obrigados a contar-lhe o que haviam feito, e o seu pesar foi desse modo um tanto mitigado. Os irmãos discutiram em seguida o que fazer para evitar ao pai a suspeita de um crime. Acharam que a melhor maneira era tomar as vestes que haviam tirado de José antes de pô-lo na cisterna, rasgá-las e molhá-las no sangue de um cabrito e dize-lhe que uma fera o havia devorado no campo. Uma organização razoavelmente maligna em um atentado contra a família.
Podemos aqui considerar também algumas detalhes determinantes dos quais levaram a tudo isso a uma quase fatalidade. Além dos sonhos de José. O mimo que seu pai tinha para com ele, deu-lhe uma túnica totalmente diferente, cheia de cores e José por ser mimado não favorecia muito seus irmãos, sempre tinha algo a trazer para seu pai a respeito deles. Isso fazia com que seus irmãos lhe odiassem cada dia mais. Essa predileção de seu pai colocou em cheque a unidade de família a ponto de a criminalidade fazer parte da mesma.
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